quarta-feira, 19 de maio de 2010

Espargos com Ricotta e Presunto

Lembro-me de já aqui ter falado do meu amor pelos espargos…. Todos os anos espero ansiosamente a chegada de dois alimentos, os espargos e os alperces, posso ter saudades de Tomate, de Morangos, de Figos, de Favas e até de Cerejas mas nada se compara a estes dois que estão no Top dos Tops ;)
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A inspiração para esta receita partiu de uma fotografia que vi na revista Saveurs deste mês. Os senhores da Saveurs que me desculpem mas achei que a foto não condizia com o modo de preparação descrito na receita… Era suposto ir tudo ao forno ao mesmo tempo… Eu comecei logo a imaginar os espargos crus com as pontas queimadas… A ricotta toda desfeita… Eu a abrir a porta do forno de 5 em 5 minutos… Enfim… Uma curta metragem digna de um prémio em Cannes…. :)))
Assim que fiz o costume…. Cortei caminho ;) O resultado foi um almoço feito em menos de 10 minutos já com foto incluída ;)
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Ingredientes:
Espargos Verdes Frescos (4 a 5 por pessoa)
Ricotta (uma colher de sopa bem cheia por pessoa)
Presunto (uma fatia por pessoa)
Manjericão
Sal e Pimenta
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Misturar a ricotta com manjericão muito picado e temperar com sal e pimenta.
Colocar ao lume água com sal enquanto se arranjam os espargos. Eles têm a particularidade de “falar” isto é, dizem por onde devem ser cortados, basta fazer uma ligeira pressão junto do pé (na parte mais amarelada) para eles se partirem.
Quando a água estiver a ferver cozem-se os espargos durante 2 ou 3 minutos, retiram-se da água quente e passam-se imediatamente por água fria para parar o processo de cozedura e manterem a cor o verde (a este processo chama-se branqueamento)
Seca-los bem e fazer um montinho com 4 ou 5 espargos, colocar uma colher de ricotta sobre cada montinho e envolver numa fatia de presunto.
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Servi com uma salada de rúcula e tomate cereja temperada apenas com flor de sal e o excelente Azeite Cobrançosa da Herdade Monte Rosa.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Tiramisu de Alfarroba

Dias felizes, correr, sorrisos, falta de paciência, correr, respirar, alegrias, desilusões, correr, trabalhar, comer, dias cinzentos, gargalhadas, acordar, cansaço, vitórias, correr, prazos, dias bem passados, reuniões, felicidade, stress, momentos de liberdade, correr, tentar chegar a tudo, deixar coisas de lado, correr, dias cor-de-rosa, noites mal dormidas, vontade de ficar, vontade de partir, desejo de mudar, vontade que tudo fique na mesma, dias felizes….
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Da montanha russa que têm sido as minhas últimas semanas só podia resultar algo aparentemente impossível…. A junção entre a terra onde nasci e o país que sempre me fascinou desde que me conheço como gente…. Quando o Algarve e a Itália se juntam o resultado pode ser inesperado mas posso garantir-vos que é delicioso ;)
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A inspiração chegou na cesta que nos foi oferecida pela A.S.A no fim da nossa estadia, mais que perfeita, por terras Algarvias. O mais difícil foi guardar alguns dos biscoitos de alfarroba da Quinta das Atalaias porque são realmente deliciosos!!
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Ingredientes:
3 Ovos
250gr de Mascarpone
75gr de Açúcar
Vinho do Porto
Biscoitos de Alfarroba
Alfarroba em Pó
Café muito forte
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Bater as gemas com o açúcar até formar um creme esbranquiçado, envolver depois o mascarpone (envolvo sempre com uma colher... a amiga Italiana que me deu a receita disse-me que não se deve usar a batedeira e eu acreditei).
Bater as claras em castelo e mistura-las no preparado anterior. Aromatizar o creme com um pouco de Vinho do Porto.
Molhar ligeiramente os biscoitos no café bem forte e dispo-los na base de uma taça grande ou em taças individuais, cobrir com o creme e polvilhar com alfarroba em pó, ir fazendo camadas sucessivas sempre com a mesma ordem de ingredientes.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O Ouro Líquido

De todas as actividade que efectuamos no âmbito do convite feito pela ASA, a visita aos Viveiros Monte Rosa foi uma daquelas que me ficou mais presente…. Talvez porque o meu espírito curioso (de rapariga Sagitário) tenha ficado satisfeito com tanta informação… ;)
A verdade é que eu sabia zero sobre produção de azeite… “mea culpa” confesso, porque já que andamos nisto da blogosfera culinária acho que nos fazem falta sempre mais alguns conhecimentos….
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Talvez só por isso ou por tudo isto, tudo foi tão gratificante…. E depois houve o Senhor Detlev Von Rosen… imaginem um Senhor (não vou arriscar a idade) que vive em Portugal há mais de 40 anos, que tem um ligeiro sotaque Francês mas que é Sueco… Tem um tom de voz suave mas que deixa transparecer através dele todo o amor e a paixão por aquilo que faz.
Explicou-nos todo o processo, respondeu às nossa perguntas curiosas e talvez óbvias e no fim ainda disse uma frase que me ficou marcada na memória… “Aos 30 anos eu não sabia que este seria o meu caminho, mas agora sei que tudo foi feito neste sentido… para aqui chegar”… Quem me dera poder dizer o mesmo daqui a 30 anos!
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Mas vamos ao azeite… A sua produção é antiquíssima e existem ainda activas oliveiras com mais de 2000 mil anos, a árvore vai abrindo e forma como se fossem dois trocos separados. São árvores que se dão muito bem no clima mediterrânico porque beneficiam da brisa marítima, que faz com que as folhas estejam em constante movimento.
O mais curioso é que durante muitos anos o azeite não era usado na alimentação, mas como lubrificante nas rodas dos carros de cavalos ou na iluminação pública.
O facto dos Romanos terem acesso à luz nocturna dada pelas lamparinas de azeite permitia-lhes algo muito inovador para a época mas que hoje nos parece banal… ler à noite.
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Eu que não sou do tempo dos Romanos :) ainda me lembro do azeite ser considerada uma gordura “má”, mas com as descobertas dos benefícios da tão falada “Dieta Mediterrânica” tudo mudou e hoje sabe-se que o azeite não só é uma gordura “boa” como é um dos alimentos que melhor faz à saúde.
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São sempre inevitáveis algumas comparações entre o azeite e o vinho, uma vez que ambos são influenciados, quer pelo tipo de fruto utilizado quer pelo tipo de solo onde a planta se desenvolve. Mas ao contrário do vinho que muitas vezes melhora com a idade, o azeite deve ser consumido no prazo de 1 ano.
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Um bom azeite é muitas vezes considerado um produto caro, mas sabiam que para obtermos 1L de azeite são necessários 6kg de azeitonas? E claro, existem azeites e azeites, se estivermos a falar de um Azeite Virgem Extra o seu teor de ácido oleico ou seja a sua acidez não deve exceder os 0,8% mas se azeite for virgem a acidez poderá variar entre os 0,8% e os 2%.
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No entanto aquilo que torna o azeite mais os menos “amargo” não é a sua acidez mas a quantidade de polifenóis que contem. Estes polifenóis são uma enzima antioxidante que reduz, por exemplo, a formação de radicais livres, os grandes responsáveis pelas rugas e pelo envelhecimento da pele (aquilo que nos andam a convencer que os cremes de rosto também fazem) se calhar não era por acaso que as nossas avós o usavam como hidratante.
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Na Herdade Monte Rosa são cultivadas quatro variedades de azeite, Maçanilha, Cobrançosa, Verdeal e Picual. Nesta herdade a exploração de azeite começou em 2000, é obtida de forma totalmente biológica e todas as variedades são Virgem Extra.
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Foram-nos dadas a provar as variedades Maçanilha (um azeite frutado suave) e Cobrançosa (um azeite frutado mais picante). As quatro variedades são vendidas através da internet directamente ao consumidor e são enviadas por correio para todo o mundo. Para obter mais informações basta entrar no site.
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Tenho a perfeita noção que a imagem é muito mais apelativa do que as palavras.... por isso parabéns se conseguiram chegar até ao fim deste longo texto :)
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Mas se quiserem ver fotos verdadeiramente espantosas desta Herdade nada como ir dar um passeio até outros blogs de meninas muito talentosas que já escreveram sobre esta mesma viagem. São elas a Gasparzinha, a Laranjinha e a Mónica.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O Elogio da Simplicidade…

As favas chegaram e são boas de todas as formas, mas com quase 30º lá fora impõem-se a simplicidade.
Esta receita não tem nada de especial mas às vezes as coisas simples são as melhores.
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Ingredientes:
Favas
Alho muito picado
Coentros muito picados
Sal
Azeite
Vinagre
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Cozer as favas e passa-las imediatamente por água gelada (este processo vais ajuda-las a ficarem verdes e não acastanhadas) em seguida temperar a gosto com os outros ingredientes.

terça-feira, 27 de abril de 2010

O (meu) Algarve

O Algarve será sempre a minha terra, a terra onde nasci, onde cresci e de onde tenho muitas recordações, algumas boas, outras nem tanto…. Mas o Algarve que agora vi é outro, como se fosse uma mistura de sítios tão perto e tão longe… Uma fusão entre a memórias dos lugares e o nunca visto… Este Algarve é sem dúvida diferente, mais florido, mais tranquilo, mais genuíno, com pessoas apaixonadas pelo que fazem, com pessoas que apetece descobrir, com pessoas que estarão para sempre dentro do meu coração.
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Este Algarve do Sotavento foi-me mostrado pela Margarida e através dela mudei a perspectiva das coisas e olhei para tudo como se fosse a primeira vez… com um deslumbramento de descoberta quase infantil… é bom quando voltamos a ser crianças e partilhamos risos e brincadeiras com pessoas que mal conhecemos mas que sentimos tão próximas, como se sempre lá tivessem estado….!

Este fim-de-semana foi especial e uma parte disso ficou a dever-se à companhia da Ana, da Ameixinha, da Canela, da Gasparzinha, da Laranjinha, da Margarida, da Mónica e da Pipoka, este (meu) Algarve nunca mais será o mesmo... por isso dizer-vos obrigada é dizer-vos pouco ;)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Só para dizer Olá...

Aproveitámos o facto do Tom já se ter apoderado do blog uma vez (e ter guardado a password) para vir cá só deixar um “Olá” e dizer que está tudo bem com a Dona do Blog.
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Ela tem andado às voltas com uns papeis que parecem importantes, não sabemos bem do que se trata… mas também tanto nos faz, nós não somos esquisitos e dormimos em cima de qualquer coisa desde que seja macia…:)
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Pela cozinha também não tem havido muito movimento, lá continuamos com a nossa comida a horas certas, mas não nos parece que tenha havido muitas novidades em cima da bancada…. Especialmente porque é um sítio onde estamos proibidos de aceder e cá de baixo não se vê muito bem… mas ouvimos o outro dia a palavra “cozinha de subsistência”…. Também não fazemos ideia do que seja (a única palavra que conhecemos é mesmo “comida”) mas não nos parece que seja boa coisa... :)